Cartórios do estado Maranhão(MA)
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A história dos cartórios no Brasil, e consequentemente no Maranhão, é intrinsecamente ligada à evolução do Estado e da própria administração da justiça. No período imperial, a figura do notário público, originária do direito português, já desempenhava um papel crucial na formalização de atos jurídicos e na manutenção de registros. Inicialmente, a nomeação dos notários era prerrogativa do poder imperial, com forte influência do poder local e das elites agrárias. Os cartórios, nesse contexto, eram menos instituições de direito público e mais apêndices do poder político, responsáveis por legitimar a posse da terra, os contratos e os atos de família.
Com a Proclamação da República, em 1889, e a subsequente promulgação da Constituição de 1891, iniciou-se um processo de reestruturação das instituições brasileiras, incluindo os cartórios. A Constituição republicana estabeleceu a separação dos poderes e a necessidade de uma administração pública mais profissionalizada. No entanto, a transição foi gradual. A nomeação dos notários, embora sujeita a critérios mais técnicos, ainda mantinha elementos de influência política. A legislação da época, tanto federal quanto estadual, buscava definir as atribuições dos diferentes tipos de cartórios – de notas, de registro de imóveis, de registro civil – e estabelecer normas para a sua atuação.
O século XX testemunhou um processo de crescente regulamentação da atividade notarial e registral no Brasil. A Lei nº 8.935, de 18 de novembro de 1994, conhecida como Lei dos Cartórios, representou um marco fundamental nesse processo. Essa lei estabeleceu as bases para a organização do sistema notarial e registral brasileiro, definindo as competências dos cartórios, os requisitos para o exercício da função notarial e registral, e os mecanismos de fiscalização e controle. A lei também introduziu o conceito de delegação, permitindo que os municípios pudessem delegar a execução de determinados atos notariais e registrais a particulares, mediante licitação.
No âmbito do estado do Maranhão, a evolução dos cartórios acompanhou as tendências nacionais, com a legislação estadual vigente adaptando as normas federais à realidade local. A estrutura administrativa dos cartórios maranhenses, ao longo do século XX, passou por diversas modificações, buscando aprimorar a eficiência e a transparência dos serviços prestados à população. A criação de corregedorias-gerais de justiça, tanto no âmbito estadual quanto no Tribunal de Justiça, fortaleceu os mecanismos de fiscalização e controle da atividade notarial e registral.
A estrutura atual do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) reflete essa evolução. A Corregedoria-Geral da Justiça do TJMA desempenha um papel central na supervisão e fiscalização dos serviços extrajudiciais, incluindo os cartórios. A Corregedoria é responsável por garantir o cumprimento da legislação notarial e registral, apurar denúncias de irregularidades, e promover a capacitação dos notários e registradores. A organização da Corregedoria-Geral da Justiça inclui, entre outras unidades, a Diretoria de Fiscalização dos Serviços Extrajudiciais, que realiza inspeções e auditorias nos cartórios, e a Diretoria de Registro e Controle, que acompanha a movimentação de atos notariais e registrais.
A informatização dos cartórios, iniciada nas últimas décadas do século XX e intensificada no século XXI, representou uma mudança significativa na forma como os serviços são prestados à população. A implantação de sistemas de registro eletrônico, a digitalização de documentos, e a criação de plataformas de serviços online, contribuíram para a modernização dos cartórios e para a ampliação do acesso da população aos serviços notariais e registrais.
Atualmente, o sistema notarial e registral brasileiro, e por extensão o maranhense, é caracterizado pela coexistência de cartórios públicos e de delegação, pela crescente informatização dos serviços, e pela atuação fiscalizatória do Poder Judiciário, representado pela Corregedoria-Geral da Justiça do Tribunal de Justiça. A contínua busca por aprimoramento e modernização, aliada ao cumprimento rigoroso da legislação vigente, são elementos essenciais para garantir a segurança jurídica e a eficiência dos serviços prestados pela atividade notarial e registral no estado do Maranhão.


